O poder do nosso inconsciente

Você sabia que quem manda na sua vida é o seu inconsciente? Vamos lá, para quem não está familiarizado com o assunto, nossa mente divide-se em consciente e inconsciente. O nosso lado consciente é o nosso lado racional, ao qual temos total controle. O inconsciente seria, literalmente, tudo aquilo que o nosso consciente não tem ciência, tudo aquilo que fica dentro de nós mesmos e nem fazemos ideia de que existe. Existe uma velha analogia que é feita entre o consciente ser aquilo que vemos de um iceberg, ou seja, apenas a sua ponta. A parte que está abaixo da água seria o nosso inconsciente, ou seja, a maior parte do iceberg. 

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E por que é importante sabermos disso? Porque quem toma as rédeas da nossa vida não é o nosso consciente, e sim o inconsciente. E nós, seres humanos, estamos muito acostumados a fazer algo que é tão automático que nem percebemos: adoramos reprimir aquilo que consideramos que não nos faz bem. Em outras palavras, adoramos jogar a sujeira pra debaixo do tapete. Explico:

  • Sabe aquela vez que você, para evitar discutir com o seu namorado, engoliu tudo e fingiu estar tudo bem? Pois bem, seu namorado de fato deve ter achado que estava tudo bem, mas pra onde foi a raiva que você sentia? Pra debaixo do tapete;
  • E aquela vez que seu chefe te chamou na sala dele e você tinha certeza que seria elogiado pelo trabalho sobre-humano que estava desempenhando mas, ao invés disso, saiu com mais duas pastas cheias de trabalho pra fazer e com a frase “não faz mais do que a sua obrigação” ecoando nos ouvidos? Pra onde foi a sensação de falta de reconhecimento que você não podia descontar no chefe? Pra debaixo do tapete;
  • E aquela culpa que você sentiu quando deixou seu filho uma semana de castigo por algo que, posteriormente, você descobriu não ter sido culpa dele? Foi pra debaixo do tapete;
  • E aquele dia que após ter feito tanto para ajudar sua amiga, ela simplesmente virou as costas pra você e preferiu convidar outra amiga pra um show de uma banda que você adorava e que ela tinha ganhado um par de ingressos? Pra onde foi a mágoa? Pra debaixo do tapete.

Enfim, esses são apenas alguns exemplos de coisas que preferimos reprimir a lidar diretamente. E por que reprimimos? Porque não gostamos de sentir essas emoções, achamos que elas não deveriam existir, afinal, nós fomos feitos para sermos felizes sempre, né??! E qual é o problema de reprimir aquilo que não nos faz sentir bem? O problema é que tudo aquilo que reprimimos não some como em um passe de mágica; vai pra debaixo do nosso tapete, o nosso inconsciente. E uma vez lá, meu amigo, sabe-se lá o que pode acontecer. Porque nós não temos o menor controle sobre o nosso inconsciente, porém ele controla nossa vida de uma maneira que nem imaginamos. Vamos analisar o que pode acontecer com cada um dos casos citados acima:

  • Você e seu namorado estão super bem até um desentendimento aparentemente simples de se resolver te tirar do sério de uma maneira tão incontrolável que você começa a quebrar a casa dele inteira de raiva. Lembra daquela raiva reprimida? Pois bem, olha ela aí dando as caras!;
  • Uma super oportunidade de emprego aparece na sua frente e incrivelmente você não consegue largar o seu emprego atual pra aceitar o novo porque teme não dar conta. Isso apesar de você sempre ter dado conta de todas as responsabilidades que seu chefe te deu, até das duas pastas de trabalho a mais que teve que fazer quando já tinha feito um esforço sobre-humano para dar conta do que já tinha. Mas você nunca recebeu um elogio, né? Por que teria confiança em si mesmo?;
  • Em uma passada rápida no shopping para comprar um presente de aniversário para o seu sobrinho, você sai com o presente e mais 15 brinquedos para o seu filho, que se esgoela a cada novo carrinho da Hot Wheel que encontra pelo caminho (mesmo já tendo uma coleção completa em casa). De onde vem essa necessidade de querer agradar o filho? Olha a culpa batendo na porta aí;
  • Aquela amiga do show finalmente te convida pra uma viagem incrível que ela ganhou da empresa e você simplesmente recusa, mesmo estando morrendo de vontade de ir. Afinal, ela precisa “aprender a lição” e deixar de magoar as pessoas com suas atitudes. E ela vai linda e contente viajar com outra amiga, enquanto o seu ressentimento só aumenta.

Tudo isso se transforma em um ciclo sem fim. E cada vez mais você se afunda e não se dá conta do porquê tudo na sua vida dá errado. E a razão disso tudo é uma só: o inconsciente domina a sua vida. E quanto mais achamos que podemos controlar nossas emoções e sentimentos, mais caímos na armadilha do nosso inconsciente.

E qual é a saída disso tudo? Como se livrar dessa armadilha?

Em primeiro lugar, a palavra de ordem é não reprimir. É muito mais fácil lidar com os sentimentos quando eles estão à tona do que quando estão submersos no nosso  inconsciente. Mas então devo expressar tudo o que sinto, não importando se é adequado ou não? Bom, não é bem por aí. O correto seríamos observar esses sentimentos, entender porque determinadas situações nos provocam determinadas reações. Uma vez que estejamos em contato com esses sentimentos e os observamos, temos a chance de ressignificá-los. E ressignificar significa ter uma nova percepção sobre o tema em questão, dar um novo sentido àquilo que antes só conseguíamos perceber da maneira que o nosso sistema de crenças e valores compreendia. E tudo isso só pode acontecer a partir do momento que você se permite enxergar a mesma situação conflitante com outros olhos, com uma outra compreensão. Por exemplo, uma maneira (dentre várias) de lidar com os casos acima seria:

  • O diálogo é a melhor forma de evitar má-interpretações. Talvez conversando com o seu namorado, ou então enxergando a situação do ponto de vista dele, você consiga eliminar a raiva que de outra forma teria reprimido;
  • Levar as questões profissionais pro lado pessoal geralmente mostram fraquezas que já existiam dentro de nós. Se nossa auto-confiança já não é forte, a tendência é que percebamos na fala dos outros mais razões para colocarmos em questão a nossa própria capacidade;
  • Pedir desculpas ao filho, reconhecendo que errou, seria a maneira mais honesta de lidar com a situação, para ambas as partes. Ao mostrar que erra, o pai ou a mãe se aproximam mais do filho, que consegue identificar os próprios erros como normais, afinal, até os grandes heróis da vida dele também cometem erros. Dessa maneira, a culpa se transforma em aproximação;
  • Compreender a amizade como um reservatório com capacidade ilimitada é a melhor forma de entender que seus amigos podem sim ter outros amigos, assim como você também tem. A partir do momento que entendemos isso, diminuímos a nossa expectativa de querer retorno em igual medida para tudo o que fazemos ao outro. Não há uma moeda de troca definida para amizade, nem para qualquer tipo de relacionamento: aquilo que você pode enxergar como muito, pode ser percebido como pouco pelo outro e vice-versa.

Agora, uma vez que esses sentimentos já estão internalizados… É como procurar agulhas em um palheiro. Cada um internaliza um sentimento de uma forma, não existe um guia básico de como resgatar essas emoções. Uma vez no nosso inconsciente, essas emoções criam vida própria e não tem como saber em que momento elas vão dar as caras, nem sob qual forma. A psicoterapia é a solução mais comum para tentar resgatar essas emoções, mas costuma ser demorada e, uma vez trazidas à tona, costuma-se ter dificuldade em ressignificá-las.

Existe, porém, uma técnica muito eficaz para trazer conteúdo inconsciente à tona e ressignificá-lo. Essa técnica se chama TFT, e é capaz de trazer alívio emocional em questão de minutos. Acompanhe o blog que no próximo post falarei um pouco sobre essa terapia. Mas de lição de casa, deixo aqui uma reflexão: você sente que é dominado por algumas emoções que fogem do seu controle? Você se sente perdido, sem ânimo, com tantos problemas que não sabe nem por onde começar a mudar? De onde vêm esses sentimentos, essas emoções? Você consegue identificar? Se quiser compartilhar, deixe uma mensagem nos comentários!

Até o próximo post!

Abraços,

Kátia Figueiredo

5 comentários sobre “O poder do nosso inconsciente

  1. Gostei muito do comentário… No livro Tao Te King, o autor Lao Tze expõe o seguinte axioma: “Cuidado com as armadilhas do ódio”…… Obrigado e parabéns

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